quarta-feira, 13 de abril de 2011

Proposta de Trabalho #2 - Tipografia

Álvaro de Campos - Proposta

Proposta de Trabalho #2 - Tipografia

Álvaro de Campos - Recolha fotográfica






 

Proposta de Trabalho #2 - Tipografia

Alberto Caeiro - Proposta









Proposta de Trabalho #2 - Tipografia


Alberto Caeiro - Recolha fotográfica




Fernando Pessoa

Ricardo Reis:
Ser-me-ás suave à memória lembrando-te assim – à beira-rio,
Pagã triste e com flores no regaço

Alberto Caeiro:
Tristes das almas humanas, que põem tudo em ordem,
Que traçam linhas de coisa a coisa,
Que põem letreiros com nomes nas árvores absolutamente reais,
E desenham paralelos de latitude e longitude
Sobre a própria terra inocente e mais verde e florida do que isso!

Álvaro de Campos:
Ó rodas, ó engrenagens, r-r-r-r-r-r-r eterno!
Orte espasmo retido dos maquininsmos em fúria!



Ricardo Reis:

 Nasce, no seu espírito, em 1912
Foi o primeiro a revelar-se mas não o primeiro a iniciar a actividade literária (inicia esta actividade apenas em Março de 1914, até 13 de Dezembro de 1933)
Médico de profissão
Monárquico (facto que o levou a emigrar para o Brasil)
Educado num colégio de jesuítas – formação latinista e semi-helinista
Proclama a disciplina na construção poética
Marcado pela simplicidade da concepção da vida, por uma intensa serenidade na aceitação da relatividade e fugacidade de todas as coisas.
Moreno, estatura média, anda meio curvado, é magro e tem a aparência de um judeu português
Adepto do sensacionalismo (herda do mestre, Caeiro)
Associa-se ao paganismo de Caeiro, ao estoicismo e epicurismo (triste)
“As coisas devem ser sentidas, não só como são, mas também de modo a integrarem-se num certo ideal de medida e regras clássicas
Neoclassicismo “científico” – “Reacção contra o romantismo moderno e contra o neoclassicismo à Mauras”
            Verso irregular (ao contrário de Álvaro de Campos) mas num estilo de meia regularidade
            Purismo exagerado
            Poeta clássico, calmo, lúcido
            Acredita que o caminho para a felicidade resume-se ao carpe diem
            Apesar da sua procura pela felicidade, considera que nunca se consegue atingir a verdadeira calma e tranquilidade – ataraxia (viver em conformidade com as leis do destino, indiferente à dor e ao desprazer, numa ilusão de felicidade)

Características do poeta
Epicurismo
Busca da felicidade
Moderação dos prazeres
Fuga à dor (aponia)
Ataraxia (tranquilidade capaz de evitar a perturbação
Estoicismo (conformismo)
Aceitação das leis do destino (apatia)
Indiferença face às paixões e à dor
Abdicação de lutar
Auto disciplina
Horacianismo
Carpe diem (vive o momento)
Aure mediocritas (a felicidade possível está na natureza)
Paganismo
Crença nos deuses
Crenças na civilização da Grécia
Intelectualização das emoções
Medo da morte
Neoclassicismo
Poesia construída com base em ideias elevadas
Odes
Características estilísticas
Submissão da expressão ao conteúdo (a uma ideia perfeita corresponde uma expressão igual)
Estrofes regulares, versos brancos
Recusa frequente à assonância, à rima interior e à aliteração
Predominância da subordinação
Uso frequente do hipérbato (inversão, ou troca directa dos termos da oração – verbo, complementos, adjuntos) ou de nomes e seus determinantes
Uso frequente do gerúndio e do imperativo
O uso do latinismo – atro, ledo, infero


Webgrafia:
Fonte a usar:
Garamond – Simples, clássica, de serifa elegante com acento em forma de lágrima

Alberto Caeiro:

            “Mestre”, em torno do qual se determinam os outros heterónimos
            Nasce em Abril de 1889, em Lisboa mas vive grande parte da sua vida no Ribatejo onde vem a conhecer Álvaro de Campos
            Educação – apenas educação primária (simplicidade e naturalidade por ele própria reclamada)
            Louro, olhos azuis, estatura média (um pouco mais baixo do que Ricardo Reis) e frágil (morte precoce – tuberculose, em 1915)
            Surge numa altura em que Fernando Pessoa necessita de ultrapassar o paúlismo, o subjectivismo e o misticismo
            É a voz que se ri destes misticismos, que reage contra o ocultismo, nega o transcendente e defende a sinceridade da produção poética
            Apologista da simplicidade, serenidade e nitidez das coisas
            Pagão, poeta das sensações – a sua poesia sensacionista assenta na substituição do pensamento pela sensação, é o poeta da natureza, antimístico
            Poeta do objectivismo absoluto, repudia a filosofia.
            Poética da contemplação, hiperbólica, de linguagem espontânea, discursiva e prosaica
            É o mais contraditório dos heterónimos, atinge o poético pelo apoético, conota quando denota, enquanto tenta provar que não intelectualiza nada é que mais intelectualiza, usa o raciocínio sem o querer demonstrar.
            Poesia da natureza, dos sentidos, das sensações puras e simples (daí ter procurado, na serra, sentir as coisas simples da vida.
            Ignorante da vida e quase ignorante das letras, sem convívio nem cultura
            Negação da metafísica e valorização da aquisição do conhecimento através das sensação não intelectualizadas (contra a interpretação do real pela inteligência)
            Atracção pela infância (sinónimo de pureza, inocência e simplicidade)
            Especial importância ao acto de ver (“pensar é estar doente dos olhos”)
            Sensacionista, apenas o que captamos pelas sensações interessa
            Vê o mundo sem necessidade de explicações, sem princípio nem fim e acredita que existir é um facto maravilhoso
            Poesia é uma atitude involuntária, espontânea, do presente; recusa a introspecção, subjectividade – poeta do real objectivo
            Vocabulário coerente, simples, de frase curta, repetições, frases interrogativas, reticências e recurso a interrogações e respostas

Características do poeta
Objectivismo
Apagamento do sujeito
Atitude antilírica
Atenção à “eterna novidade do mundo”
Integração e comunhão com a Natureza            
Poeta deambulatório
Sensacionismo
Poeta das sensações tal como elas são
Poeta do olhar
Predomínio das sensações visuais e das auditivas
O “Argonauta das sensações verdadeiras”
Anti-metafísico
“Há bastante metafísica em não pensar em nada”
Recusa do pensamento (“Pensar é estar doente dos olhos”)
Recusa do mistério
Recusa do misticismo
Panteísmo Naturalista
Tudo é Deus, as coisas são divinas
Paganismo
Desvalorização do tempo enquanto categoria conceptual
Contradição entre teoria e prática
Características estilísticas
Verso livre, métrica irregular
Despreocupação ao nível fónico
Pobreza lexical (linguagem simples, familiar), frases simples
Adjectivação objectiva, comparações simples
Raras metáforas
Predomínio do Presente do Indicativo
Pontuação lógica
Fonte a usar:
Comic Sans – usada para situações informais, usado em banda desenhada (semelhante à instrução que Caeiro teve – primária)

Álvaro de Campos:

            Nasceu em Tavira, em 1890
            Educação – fez o liceu em Lisboa e partiu para a Escócia para estudar Engenharia mecânica e naval
            Alto, elegante, de cabelo preto e liso, com risca ao lado, usando um monóculo
            Três fases: uma primeira durante uma viagem ao Oriente, de cariz mais decadentista; o seu génio solta-se na sua fase futurista, de exaltação da vida moderna, da força, da velocidade, das máquinas; e numa terceira fase escreve uma poesia mais intimista.
            A grande viragem dá-se quando conhece Alberto Caeiro, numa viagem ao Ribatejo, passa a experimentar febrilmente as sensações, quer “sentir tudo de todas as maneiras” facto que o leva a um esgotamento caindo numa espécie de apatia melancólica que partilha, com o seu ortónimo, a dor de pensar, a procura do sentido além da realidade, a fragmentação e a nostalgia da infância irremediavelmente morta
            Versos livres, longos, por vezes prosaicos, excalmativos e eufóricos ou repetitivos e depressivos
            Cosmopolita, urbano, febril, nervoso, extrovertido
            A poesia desta proposta, enquandra-se na segunda fase do poeta
            Futurismo – elogio da civilização industrial e da técnica, ruptura com o subjectivismo da lírica tradicional, atitude escandalosa
            Sensacionismo – vivência em excesso das sensações, sadismo e masoquismo
            Traços estilísticos – verso livre, longo; grafismo expressivo; estrangeirismos, neologismos, enumerações excessivas, exclamações, interjeições; mistura de níveis de língua; oximoros, hipérboles,



Características do poeta (2ª fase)
Futurismo

Elogio da civilização industrial e da técnica
Ruptura com o subjectivismo da lírica tradicional
Atitude escandalosa
Celebra o triunfo da máquina, da energia mecânica
Apresenta a beleza dos “maquinismos em fúria”
Sensacionismo
Intelectualização das sensações
Vivência em excesso das sensações
Sadismo e masoquismo
Cativo dos sentidos
Exprime a força que se manifesta na vida
Totalização das sensações (“Sentir tudo de todas as maneiras”)
Características estilísticas
Versos livres, vigorosos, longos, submetidos à expressão da sensibilidade, das emoções
Utilização de frases exclamativas, apóstrofes, onomatopeias e oximoros
Terminologia do mundo mecânico, citadino e cosmopolita


Webgrafia:

quarta-feira, 30 de março de 2011

Tipografia


The difference between the almost-right word and the right word
is the difference between the lightning bug and the lightning!

Mark Twain 



Tipografia

Escrita Cuneiforme
           A escrita nasce da necessidade de traduzir para símbolos a linguagem oral. Esses símbolos são tão antigos quanto o homem pré-histórico.
            No entanto, só com a civilização suméria é que esses símbolos se vão padronizar no que, apenas agora, se pode chamar de escrita. Os sumérios organizava-se em pequenas civilizações urbanas e nelas era necessário um controlo administrativo. Surgia, desta forma, a escrita cuneiforme, cunhada em placas de argila.
            Esta escrita era, inicialmente, pictórica (os símbolos eram representações – desenhos – do que se queria transmitir, por exemplo, quando se pretendia transmitir a ideia “sol”, simplesmente desenhava-se um), só mais tarde é que evoluiu para uma espécie de alfabeto em que essas representações foram simplificadas e os mais de 2000 sinais diferentes foram reduzidos a cerca de 600.
Hieróglifos egípcios
             
           Pelo seu carácter ideográfico (representação de ideias) pôde facilmente ser adaptada a outras regiões e línguas.
            Algo que os egípcios poderiam ter feito caso não tivessem, quase simultaneamente, desenvolvido um sistema próprio, também pictórico mas muito mais complicado de decifrar – os hieróglifos (“escrita dos deuses”). Esta escrita era formada por três categorias de linguagem escrita:


·               Pictogramas – desenhos que representavam coisas;
·               Fonogramas – desenhos que significavam sons;
·               Ideogramas – desenhos que representam ideias.
             

             Embora as maiores representações desta escrita estejam gravadas na pedra, é com a civilização egípcia que surgem os primeiros livros, escritos em papel (papiro).
            Mais tarde, com os comerciantes e marinheiros dar-se-á uma nova revolução na linguagem escrita: surge o sistema aramaico (de onde vai derivar o hebraico e o árabe) e fenício (antepassado do nosso alfabeto). Tratam-se de sistemas fonéticos, que por terem poucas letras eram de fácil aprendizagem que, em teoria, podiam ser adaptados a qualquer língua.


Alfabeto jónico
            E foi exactamente isso que os gregos fizeram, importaram o alfabeto fenício ao qual adicionaram as suas próprias vogais – alfabeto jónico. Esse foi o grande contributo dos gregos, as vogais. Dos gregos, passou para o Etrusco e mais tarde foi adaptado pelos romanos à sua língua e fonética.
            Inicialmente, as letras romanas escreviam-se sem acabamentos terminais, só com o aperfeiçoamento das ferramentas é que se desenvolveram as terminações – serifas. O maior contributo dos romanos foi o desenvolvimento da forma das letras, a sua estética e as relações recíprocas. Desenvolveram letras de pompa e circunstância mas também letras com formas condensadas (económicas) e até de grafia tosca (documentos redigidos à pressa).


            Os estilos praticados pelos romanos eram:
·               Capitalis Quadrata (versais cinzeladas em pedra, lápides..);
·               Rustica;
·               Cursiva (alongamento e compressão da Capitalis Quadrata, um género de letra apressada para escrever em qualquer suporte – foram as primeiras minúsculas);
·               Uncial (evolução da Capitalis Quadrata, são versais com formas pronunciadamente redondas; era o mais requintado e elegante padrão das letras latinas).

Capitalis Quadrata
É directamente deste alfabeto que nasce o nosso.


            Se olharmos à nossa volta, a tipografia está em todo o lado. Tradicionalmente associa-se tipografia a design gráfico, mas com o progresso tecnológico e acessibilidade universal de hoje em dia, tipografia já não é apenas o trabalho do tipógrafo.
            A tipografia é a escrita à mão, impressa na máquina, na mensagem de texto, no e-mail, etc. As convenções tipográficas básicas são ensinadas na escola e veiculam alguns princípios elementares: o modo de desenhar e escrever letras com nitidez, de apresentar palavras, frases e parágrafos, dispor um texto numa folha, apresentar uma carta, endereçar um envelope, entre outros.      No entanto tudo isto é muito básico, para conseguirmos passar uma mensagem, é necessário mais.
            Qualquer actividade relacionada com a comunicação requer um meio de transmissão de ideias, meio que tem de ser entendido pelo receptor. É aqui que entra a semiótica: o estudo que abrange a totalidade da comunicação humana estruturada em todas as suas diversas formas e em todos os contextos. A semiótica tem um âmbito mais alargado do que qualquer outro método porque estuda o significado de todos os símbolos da sociedade (neste caso, a linguística, a retórica, a semântica, a grafologia...).
            Se os signos que desenhamos se destinam a persuadir então temos de reconhecer as dimensões – social, moral e política – que qualquer projecto de design terá.
            A tipografia utiliza todo um conjunto de elementos para o sucesso da mensagem pretendida. A linguística, que agrega toda uma comunidade, a retórica, discurso persuasivo, a semântica, forma como manipulamos a linguagem para que faça sentido, a grafologia, estudo do significado de cada símbolo, a legibilidade, grau de nitidez que permite distinguir caracteres individuais uns dos outros, facilidade de leitura, reconhecimento das palavras e funções dos espaços e pontuação, pontuação, marcação de ritmo e realce, manipulação de espaço, para, por exemplo, dividir o texto em segmentos com sentido, mudanças de linha não arbitrárias, por motivos linguísticos ou semânticos, entre muitas outras técnicas.